O Doméstico e o Bélico

2012 – 2014

 O Doméstico e o Bélico: Análise Arqueológica da Cultura Material das Fortificações Catarinenses

Resumo: As fortificações catarinenses começaram a ser construídas a partir de 1739, por José da Silva Paes, engenheiro militar e primeiro governador de Santa Catarina. Os principais motivos para a edificação das fortificações foram demarcar o domínio português no Brasil Meridional, impedindo a invasão espanhola no sul do país, protegendo a Colônia de Sacramento fundada em 1680 e garantindo o acesso ao Rio da Prata. Ao longo do século XVIII foram edificadas mais de 10 fortificações (entre fortalezas, fortes ou baterias), são elas: Santa Cruz do Anhatomirim, São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones, Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, São Francisco Xavier, Santana, São Caetano, São Luís e Santa Barbara. Oito foram restauradas, revitalizadas e transformadas em pontos de atração turística da Grande Florianópolis. Entre as fortificações preservadas, cinco passaram por intervenções arqueológicas: Santa Cruz do Anhatomirim, São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones, Santana e Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba. O projeto em tela prevê a análise dos vestígios materiais recuperados nas escavações realizadas nesses sítios e a sistematização da documentação produzida em campo, salvaguardadas no Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral da Universidade Federal de Santa Catarina (MARquE – UFSC). O material recuperado em campo constitui-se de fragmentos de cerâmica, faiança, porcelana, grès, vidros, ossos, metais e outros, classificados, na sua maioria, como artefatos domésticos e militares, de uso cotidiano e bélico, dos séculos XVIII, XIX e XX, com destaque para: louças, talheres, taças, garrafas, vidros de perfumes, vidros de remédio, escovas de dente de ossos, fragmentos de vestuário (botões, presilhas, fivelas), moedas, restos de alimentação, munição de variados calibres, balas de canhão e outros ainda em processo de identificação. Entre a documentação produzida na pesquisa de campo constam diários, croquis/plantas e fichas de escavação e na pesquisa de laboratório constam registros de análise do material, além de projetos e relatórios de pesquisa. As pesquisas arqueológicas das fortificações catarinenses revelam-se como um campo de estudo potencial sobre a ocupação do litoral, e mais especificamente da Ilha de Santa Catarina. Apesar de ter sido um tema debatido pela arqueologia brasileira nas décadas de 1980 e 1990, ainda existem dados para serem desvendados relativos à cultura material resgatadas nesses sítios, com enfoques voltados para uma análise contextual e para a interpretação dos significados dos artefatos recolhidos em campo, bem como, das práticas culturais dos grupos sociais que ocuparam esses sítios. O projeto pretende a análise do material, a realização de uma exposição com os materiais mais significativos do acervo e a publicação de um livro com os resultados da pesquisa.

Integrantes: Fernanda Codevilla Soares (coord.), Angelo Renato Biléssimo, Gabriela Oppitz, Isabela da Silva Müller, Lucas Bond Reis, Lucas de Melo Reis Bueno, Luciane Zanenga Scherer, Angela Sabrine Salvador.

Financiamento: Chamada pública FAPESC nº 04/2012, Edital Universal, Termo de Outorga nº TR 20120000025, Processo nº FAPESC3520/2012; Edital 002/2012 – PROCULTURA / SECULT.